São Tomás Moro: lealdade vs. traição

6 Julho 2023


A classe política está, hoje em dia, altamente desprestigiada, pois muitos dos seus integrantes são corruptos, oportunistas, que procuram vantagens pessoais, não se importando com o bem comum e utilizando o Estado a seu bel prazer.

Mas, afinal, os políticos, os homens de Estado, sempre foram assim? Essa mentalidade é a mentalidade habitual dos políticos do passado?

São Thomas Moro, que viveu no final do século XV e início do século XVI, era um homem culto, homem de leis que chegou a ser Chanceler do Reino de Inglaterra. No entanto, ele foi colocado peranten uma opção muito difícil. Ou cedia aos caprichos do Rei ou se mantinha fiel aos princípios católicos e à sua consciência.

A sua concepção do dever de homem público, os seus princípios católicos, a sua noção das instituições do Estado e o serviço do bem comum levaram-no a enfrentar o Rei Henrique VIII, o que lhe custou a vida.

Henrique VIII (1491-1547), rei da Inglaterra, foi um defensor da Fé Católica, escrevendo inclusivamente uma notável obra «Em defesa dos Sete Sacramentos», cuja leitura é perfeitamente recomendável para qualquer católico. No entanto, por causa do seu orgulho e sensualidade, revoltou-se por não ter herdeiros da sua mulher, Catarina de Aragão, filha dos Reis Católicos, Fernando II de Aragão e Isabel I de Castela. Divorciou-se e depois  «desfez-se» sucessivamente das seis mulheres com quem se foi juntando, tendo inclusivamente mandado executar Ana Bolena (sua primeira concubina). Quando a Igreja rejeitou o seu divórcio com Catarina de Aragão, separou-se de Roma e instituiu a igreja Anglicana, cujo chefe passou desde então a ser o monarca.

O monarca inglês era um homem cruel e um abusador do poder, que em nada se controlava. Foi ele quem mandou matar São Tomás Moro e o cardeal São João Fisher por se terem recusado a dar aval aos seus ímpios desígnios.

Apesar do alto cargo que detinha, São Tomás Moro não se apegou a ele nem se deixou intimidar pelas ameaças do rei, sacrificando a própria vida em defesa dos princípios perenes da sua fé. Nobre exemplo para os homens públicos e homens de Estado do nosso tempo, foi declarado padroeiro dos políticos no ano 2000, pelo Papa João Paulo II.

Embora tenha morrido a 6 de Julho (1547) – condenado à morte por decapitação – a festa litúrgica deste mártir celebra-se a 22 de Junho. A sua canonização foi declarada a 19 de Maio de 1935 pelo Papa Pio XI.

José Carlos Sepúlveda da Fonseca

Veja também aqui o vídeo de José Carlos Sepúlveda da Fonseca, dedicado a São Tomás Moro.

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