São Cipriano de Cartago

16 Setembro 2022

A violenta perseguição anticristã do imperador romano Décio, no ano 249 d.C., que custou a vida a milhares de cristãos, suscitou na Igreja a questão dos assim chamados «libelistas», isto é, daqueles cristãos que, para fugir à condenação capital, iam dissimuladamente à procura do «libellus», ou seja, do certificado que os apresentava como bons e honestos cidadãos por terem prestado homenagem à estátua de um ídolo, com alguns grãos de incenso. Mas quem incorresse em tal cedência, renegando a Cristo, era declarado «lapsus», quer dizer, decaído.
Porém, o novo Papa Cornélio manteve uma posição moderada, readmitindo na comunhão os libelistas e concedendo perdão aos «lapsi», que podiam ser absolvidos na iminência da morte. No entanto, esta conduta foi contestada por Novaciano, presbítero romano falsamente intransigente, que desafiou o Papa, negando-lhe o direito de perdoar na hora extrema, quer os «libelistas», quer os «lapsi». E, declarando deposto o Papa Cornélio, elegeu-se papa ele mesmo! Mas Cipriano, Bispo de Cartago, manteve-se fiel ao legítimo Pontífice e contra o antipapa Novaciano escreveu o seu mais importante tratado: «De catholicae ecclesiae unitate», além de numerosas cartas, que o colocam entre os grandes escritores da literatura cristã e latina.
Tácio Ceciliano Cipriano nasceu por volta do ano 210 em Cartago, na África consular do Império Romano. Uma das grandes figuras do século III, Cipriano pertencia a uma família rica dessa grande cidade, capital romana na África do Norte. Quando pagão, era um óptimo advogado e mestre de retórica, até que, provocado pela constância e serenidade dos mártires cristãos, se converteu entre os 35 e os 40 anos de idade, vindo a tornar-se bispo no ano 248.
A sua sagração episcopal coincidiu com o novo édito imperial contra os cristãos.
Durante a perseguição, Cipriano escolheu a via da clandestinidade. Depois, passada a tormenta, retornou a Cartago e concedeu o perdão aos libelistas, uma medida sabiamente moderada que teve a aprovação do Papa Cornélio. Ao recomeçar a perseguição, no reinado do imperador Valeriano, o Papa foi relegado para «Centumcellae», a actual Cittavecchia, onde morreu em decorrência dos sofrimentos, sendo sepultado nas catacumbas de Calisto.
Também o Bispo Cipriano foi relegado a Capo Bom, mas quando lhe foi comunicada a sentença de morte, retornou a Cartago para dar o testemunho de fidelidade a Cristo diante da sua grei.
Sabendo que Cipriano seria decapitado, os cristãos de Cartago puseram pequenos panos sobre o cepo da decapitação para que ficassem embebidos de sangue e fossem depois conservados como relíquias desse grande bispo e santo africano.
São Cipriano foi declarado pela Igreja como padroeiro da África do Norte e da Argélia. A sua festa litúrgica celebra-se a 16 de Setembro, dia em que se comemora também a festa do santo Papa Cornélio, seu companheiro de fé.

Luís de Magalhães Taveiro

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