Reunificação da Alemanha: 3 de Outubro de 1990

3 Outubro 2023

Muro de Berlim, também conhecido como «Muro da Vergonha»:  O comunismo soviético, estabelecido na chamada «República Democrática Alemã – RDA», levantou em 1961 uma fronteira fortificada, isolando completamente a parte ocidental de Berlim por meio de um muro e de uma zona de segurança praticamente intransponíveis. As pessoas que não queriam viver sob o regime comunista eram presas ou abatidas a tiro quando tentavam fugir da Alemanha Oriental para a Ocidental, transpondo esse Muro ou qualquer ponto da fronteira. Recorde-se que essa perseguição, tão característica do regime comunista, também já começou a aplicar-se no «Mundo Livre» por meio da tirania sanitária, da vacinação, da imposição da agenda 2030, da intolerância do lobby gay, etc.

Onze meses após a queda do Muro de Berlim, a 3 de Outubro de 1990, a República Federal Alemã e a autodenominada República Democrática Alemã celebram oficialmente a sua reunificação em um só Estado

Onze meses após a queda do Muro de Berlim, a 3 de Outubro de 1990, a República Federal Alemã e a autodenominada República Democrática Alemã celebram oficialmente a sua reunificação em um só Estado.
Eis alguns factos que nos ajudam a entender melhor as condições que distinguiam os antigos estados da Alemanha dividida entre 1945 e 1990:

A pesada herança do fracasso comunista

De acordo com um relatório de 2019, apenas 16 das 500 maiores empresas alemãs estão hoje situadas em território que pertencia à Alemanha Oriental. E nenhuma dessas 16 empresas está no principal índice do mercado de acções da Alemanha, de acordo com dados da Associated Press.

No seu livro Planning Ahead and Falling Behind, o autor, Jaap Sleifer, recorda que a Alemanha Oriental era mais rica que a Alemanha Ocidental antes da Segunda Guerra Mundial, ou seja, antes do domínio comunista. Ali, o PIB per capita era de 103% em relação à Alemanha Ocidental. Depois a diferença inverteu-se drasticamente e em 1990, durante o processo de reunificação, o PIB per capita da Alemanha Ocidental era de aproximadamente de 18 mil dólares, enquanto o da Alemanha Oriental se ficava apenas pelos 9 mil dólares.

Nesse mesmo ano, o custo de uma ligação telefónica de três minutos de Berlim Ocidental para os Estados Unidos era de 6,50 dólares, enquanto um telefonema de três minutos da Alemanha Oriental para os Estados Unidos custava quase cinco vezes mais (28 dólares).

Os alemães do Leste não tinham escolha para comprar automóvel. Não havia mais nada no mercado senão o «Trabant» ou «Trabbi», como era popularmente conhecido. Durante anos, este veículo permaneceu praticamente inalterado. Apelidado por alguns como «o pior carro de todos os tempos», o Trabant passou a simbolizar a economia estagnada da Alemanha Oriental. Tão estagnada e tão empobrecida, que apenas 21 dos 500 alemães mais ricos foram viver para lá a partir de 2015, de acordo com reportagem publicada por The Guardian (16 de Setembro de 2020).

Vinte e cinco anos após a reunificação, os alemães no leste ainda ganhavam apenas «cerca de dois terços do salário médio praticado no ocidente» (The Guardian). Em 1980, a taxa de fertilidade na Alemanha Oriental era inferior a 1,5%, enquanto na Alemanha Ocidental era de cerca de 2,0%. Esses números só foram convergindo depois da libertação da parte oriental e com o passar do tempo (The Telegraph).

Vinte e cinco anos após a reunificação, as propriedades na antiga Alemanha Oriental valiam  metade do que custavam na Alemanha Ocidental (The Guardian).

Mais de 20 anos após a queda do Muro de Berlim, a produção fabril na Alemanha Oriental ainda representava apenas 73% da sua contraparte ocidental (The Guardian).

Vinte e cinco anos após a reunificação, os residentes da Alemanha Oriental ainda gastavam menos 79% em bens de consumo do que os seus compatriotas no lado ocidental (The Guardian).

Desde a reunificação alemã, o ex-Estado da Alemanha Ocidental transferiu cerca de 2 biliões de dólares (US$ 2 000 000 000 000) a título de ajuda económica para a difícil recuperação da ex-Alemanha Oriental.

De acordo com o director do think tank IWH, «a situação económica na Alemanha do Leste está melhor do que nunca. Mas a diferença entre o Oriente e o Ocidente permanece», mesmo muito depois da reunificação. Com efeito, «o PIB per capita ainda é cerca de 20% menor do que no Ocidente — exactamente como há 15 anos».

A partir de 2017, os salários na parte oriental da Alemanha ainda eram 20% mais baixos do que na parte ocidental, segundo Tobias Buck, do Financial Times.

Em Outubro de 2019, o desemprego na antiga Alemanha Oriental (6,4%) ainda era superior à média nacional geral da Alemanha (5%) (Associated Press).

O conceito comunista de «amplas liberdades» e «democracia»

Na chamada República «Democrática» Alemã (RDA), pelo menos 138 pessoas foram abatidas a tiro, sofreram acidentes fatais ou cometeram suicídio ao tentarem fugir através do Muro de Berlim e da fronteira entre as duas Alemanhas, de acordo com o Potsdam Centre for Research on Contemporary History e com o Berlin Wall Documentation Center. Era assim que agia o regime comunista, em defesa da sua «democracia» e das suas «amplas liberdades».

Em Agosto de 1961, cerca de dois mil alemães fugiam diariamente da Alemanha Oriental para a Ocidental, sendo a maioria deles profissionais qualificados e intelectuais. Para não ficar despovoada e desprovida de quadros profissionais, os comunistas resolveram o problema transformando simplesmente a Alemanha Oriental em prisão, ou seja, construindo um «Muro de Protecção Antifascista», conforme lhe chamaram então.

O primeiro muro, conhecido no Ocidente como «da Vergonha», foi levantado em Berlim, isolando a capital alemã no território comunista oriental e dividindo-a em duas partes, a oriental controlada pelos comunistas e a ocidental administrada pelos Estados Unidos, Inglaterra e França.

Fogos de artifício nas Portas de Brandenburgo, em Berlim, na noite de 3 de Outubro de 1990. Milhares de alemães comemoraram jubilosamente a queda de um dos mais cruéis símbolos da opressão comunista.

Foto: The Guardian

Este Muro de Berlim, que prevaleceu até 1989, passou a simbolizar e exprimir a cruel realidade do que era a vida nas nações a oriente da «Cortina de Ferro», ocupadas pela Rússia Soviética e subjugadas pelo comunismo, após a Segunda Guerra Mundial.

Nessas nações a liberdade não existia e a oposição política era brutalmente punida, tal como ainda hoje ocorre nos países aliados de Putin (Bielorrússia, Coreia do Norte, Cuba, Nicarágua, Venezuela ou Vietnam). Nem os comunistas ocidentais – grandes apreciadores e beneficiários do capitalismo – se atreviam a ir para lá! Pelo contrário, eram contínuas e desesperadas as fugas de quem sobrevivia nesse «paraíso vermelho» onde a perseguição e as atrocidades, aliás, foram sempre muito mais extensas – em duração e em número de vítimas – do que as crueldades nazistas.

Estranhamente, porém, o «mundo livre» ocidental procurou sempre silenciar a desumanidade comunista. O bem conhecido Tribunal de Nuremberg, por exemplo, foi rápido a identificar, julgar e condenar os criminosos nazis, mas até hoje nada fez sequer para denunciar as crueldades do comunismo e os seus crimes contra a humanidade, iniciados logo em 1917, no deflagrar da revolução russa.

O resultado dessa cumplicidade foi a expansão dos erros da Rússia pelo mundo, conforme refere a Mensagem de Fátima e conforme todos nós constatamos nas leis iníquas que vigoram nestas «democracias» contemporâneas onde a tão prezada «liberdade» já foi largamente suplantada pela corrupção política, pela manipulação dos meios de informação, pela intolerância de certos lobbies, pelos sistemas de «créditos sociais», pelo exercício implacável do fisco e dos impostos, etc.

A reunificação da Alemanha, que há 33 anos parecia uma vitória sobre o comunismo, afinal foi mais propriamente uma ilusão que a guerra da Ucrânia poderá transformar num pesadelo ainda pior, independentemente da facção que vencer… se houver vencedor…

A. J. Alves da Silveira

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