Pierre Cardin: um homem que destruiu a moda

14 Abril 2021

Pierre Cardin: O famoso estilista italiano (que adquiriu nacionalidade francesa) dedicou a sua vida à Revolução Cultural e à subversão dos costumes através da moda. (Foto: «L’Officiel»)

John Horvat

Quando 2020 chegava ao fim, os jornais do mundo inteiro destacaram a morte de um homem importante. Não era político nem estadista e não fazia parte das academias nem do mundo dos negócios. A sua acção de modista limitava -se ao campo cultural.

No entanto, a sua influência impactou gerações, pois não poucos foram expostos ao seu trabalho. Trata-se do estilista italiano Pietro CardinPierre Cardin ao se naturalizar francês — que morreu no dia 29 de Dezembro de 2020, com 98 anos de idade.

Ícone da Revolução Cultural

Nos anos da década de 1960 iniciou-se uma intensa “revolução cultural” para mudar a sociedade de alto a baixo. A cultura passou a entrar na vida diária das pessoas e serviu para modificar ideias que, mais tarde, desabrocharam e passaram a ter consequências políticas.

Um ícone «cultural» como Pierre Cardin influenciou mais pessoas que os políticos. Com efeito, ele contribuiu fortemente para o declínio dos padrões morais.


Assim, a morte dele marcou o fim de uma longa carreira de demolição moral e dos valores cristãos. O seu labor subversivo abalou instituições, costumes e convenções sociais, pois trabalhou de mãos dadas com a Revolução da década de 1960. Introduziu o caos na moda, a feiura nos designs e a falta de modéstia nas roupas. O seu logótipo  estava em todos os tipos de mercadorias. Para ele nada era sagrado ou nada estava fora do seu alcance.

Passo a dar três razões pelas quais esse estilista de moda foi tão revolucionário e perverso.

Estilos de «vanguarda», em rompimento com a tradição

O seu estilo de «vanguarda» rompeu com todas as tradições. Por mais de sete décadas desenhou roupas que ultrapassaram os limites do aceitável. Apresentou, por exemplo, o seu «vestido bolha», um vestido em forma de bolha e saia curta, feito por corte enviesado sobre uma base rígida.


Fez experiências com materiais sintéticos como vinil, Dynel moldado a quente e plexiglas. A sua moda da «era espacial» também reflectia um visual futurista sem nenhuma ligação com o passado, que ele detestava. Certa vez afirmou: «As roupas que prefiro são aquelas que criei para uma vida que ainda não existe, para o mundo de amanhã».

Pierre Cardin criou vestidos de design estúpido, que ninguém usava mas que era necessário divulgar para revolucionar a moda e subverter os costumes.

Mais tarde, ele projectou trajes espaciais para a NASA e influenciou os uniformes de Star Trek na conhecida série de televisão. O seu desdém pela tradição reflectia-se na sua enorme e luxuosíssima «Bubble House», perto de Cannes, onde tinha 10 quartos de formas exóticas, decorados por artistas de mentalidade revolucionária.

Desenhos feios e igualitários apoiados pelo establishment

Em segundo lugar, o estilista produzia roupas e acessórios feios e de espírito igualitário. A moda deve acentuar as qualidades de um indivíduo. O valor transcendental da beleza deve ser o objecto desta forma de arte. No entanto, o trabalho de Cardin desconsiderou as qualidades do indivíduo ao ressaltar os produtos da sua imaginação bizarra, envolta indiferentemente sobre o corpo.

Assim, muitas vezes ele ignorou a forma do corpo, como também favoreceu configurações rígidas e quadradas. «O vestido é um vaso que segue o corpo», disse ele. «As minhas roupas são como módulos nos quais os corpos se movem.»


Avançou na moda unissex, rompendo com as distinções entre homem e mulher. Favoreceu formas geométricas e motivos desprovidos de significado. Para levar a cabo a sua revolução na moda, Cardin teve patrocínio e apoio dos mais altos níveis do establishment, que ele próprio procurou destruir.

Seleccionou cuidadosamente aqueles que poderiam assistir aos seus shows, mas o design das roupas que apresentava era para as «massas». Foi um dos primeiros a exibir o seu logótipo nas roupas que criava.

Mais tarde fez acordos com industriais para colocar a sua marca em grande número de bens de consumo, incluindo cosméticos, canetas, bonés, electrodomésticos e até cigarros. Chegou a dizer que colocaria o seu nome num rolo de papel higiénico, se tivesse oportunidade.

A prática poderia desvalorizar a sua marca, mas enchia o seu bolso. Foi contratado para projectar uniformes e outras roupas para governos, companhias aéreas e empresas diversas. Desenhou blazers sem lapela para os Beatles. A American Motors Corporation (AMC) contratou-o em 1972 para criar o interior do seu modelo Javelin, que usava tecidos ousados e bizarros, com padrões selvagens.

Todas essas práticas conduziram à destruição da moda, além de terem contribuído para o surgimento de formas e padrões excêntricos que caracterizam as passarelas de hoje.

A luxuosa «Bubble House» de Pierre Cardin reflectia bem a sua preferência pelo extravagante e a sua rejeição à ordem e à tradição que marcou a Civilização Ocidental. (Foto: «Random Whispers»)

Desprezo pela moral cristã

Por último, o estilo de vida e trabalho de Pierre Cardin reflectia o seu desprezo pela moral cristã. Como todos os estilistas da época, ele introduziu modas ousadas como a mini-saia, fatos de banho feminimos e as suas criações “mod chic”.

A sua vida pessoal acompanhou a imoralidade caótica da revolução sexual. Nos anos 60 ele teve um caso com a atriz Jeanne Moreau. Depois adoptou um longo relacionamento homossexual com o designer de moda francês André Oliver, falecido em 1993.

Em 2001 Cardin comprou e restaurou parcialmente as ruínas do castelo La Coste, na França, outrora habitado pelo marquês de Sade, cujas preferências sexuais perversas e escritos eróticos deram origem ao termo sadismo. Até hoje os tribunais franceses proíbem muitas das obras literárias desse aristocrata revolucionário.

A compra desse antigo castelo equivaleu à compra da ilha de Jeffrey Epstein nas Ilhas Virgens americanas no Caribe. Mesmo assim, Cardin utilizou o La Coste para festivais de música e dança de «vanguarda».

Um produto da pós-modernidade

O trabalho da vida de Pierre Cardin serviu para destruir a moda pela introdução de temas caóticos, irracionais, bizarros e indecentes nas suas linhas de costura. Foi um produto do pensamento pós-moderno, que negou todos os significados universais, reduzindo a vida à liberdade ilimitada de criar a própria realidade.

Pierre Cardin levou uma vida sem Deus, sem  restrição alguma, escravizando as pessoas às suas paixões. Por isso o seu trabalho foi tão destrutivo.

A sua obra contribuiu para mudar a maneira como as pessoas se vestem, pensam e agem. Se hoje os Estados Unidos — e boa parte do mundo — estão polarizados e fragmentados, deve-se  isto em grande medida à revolução que ele ajudou a promover.

Extraído do site  «The American Society for the Defense of Tradition, Family and Property». Tradução de Plinio Maria Solimeo, Agência Boa Imprensa – ABIM

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