Eutanásia, Nazismo e Comunismo

1 Março 2021

A Eutanásia não é outra coisa senão uma discriminação entre seres humanos, dividindo-os em duas categorias: a dos saudáveis e produtivos e a dos que são inúteis à sociedade ou estorvo para os outros. Em regimes políticos que se dizem democráticos não podia haver contradição mais flagrante e mais comprometedora pois era nessa discriminação que se baseavam as leis do Terceiro Reich sobre o direito à vida. Com efeito, é bem sabido que o regime Nazi implementou um programa medicamente assistido para assassinato em massa, com o patrocínio do Estado. Fazia parte do eugenismo negativo e do apuramento («higiene») racial como via para purificar o «Povo», livrando-o dos «inúteis», dos «inaptos» e dos «improdutivos».

Alguém dirá que a Eutanásia desejada e votada por uma maioria dos nossos Deputados, no fatídico dia 29 de Janeiro de 2021, não pretende nenhum assassinato em massa. No entanto, não  deixa de ser um programa medicamente assistido e patrocinado pelo Estado, tal como na ditadura de Adolf Hitler. E por mais «suave» e «misericordiosa» que seja supostamente a modalidade de Eutanásia aprovada no Parlamento, convém sempre referir que se trata de uma medida inspirada por mentes pérfidas, não sendo por isso de esperar que de uma raiz torta e podre venha a nascer planta saudável, frutífera e generosa.

Apenas a título de exemplo, recorde-se que os grandes «mestres» da Eutanásia moderna, nazista e comunista, foram os alemães Karl Ludwig Binding (jurista, 1841-1920) e Alfred Erich Hoche (psiquiatra, 1865-1943). Foi bem apadrinhada pelo nazismo a obra que ambos publicaram em 1920 sob o título «Die Freigabe der Vernichtung Lebensunwertes Lebens» (Permissão de aniquilar a vida indigna de ser vivida). Foi nela que apresentaram o seu conceito de «lebensunwertes Leben» (vida indigna de ser vivida) com a legalização da «morte por misericórdia» e sob a supervisão de uma equipa médica.

Realmente pode perguntar-se se não haverá aqui certa semelhança entre estes termos e o texto do projecto aprovado no Parlamento…

Também é deveras interessante notar como uma ideia tão querida ao nacional-socialismo de Adolf Hitler tem sido tão entusiasticamente adoptada pelas hostes da Esquerda com todo o seu variado leque de socialistas, comunistas, sociais-democratas, ambientalistas, feministas, etc. É verdade que o PCP votou contra a Eutanásia, mas não o fez senão por conveniência política, pois a sua natureza ateia, materialista, relativista e anti-cristã sempre foi favorável à «morte assistida» por meios diversos… às vezes bem sinistros!

Recorde-se, a propósito, que já o bem conhecido comunista irlandês George Bernard Shaw (1856-1950), romancista, dramaturgo e autor de comédias satíricas de espírito revolucionário e subversivo era um apologista do eugenismo. Sim, do apuramento do património genético de grupos humanos, isto é, do racismo científico e ateu! Curiosa e «paradoxalmente» era também admirador do fascista Benito Mussolini e do ultra-comunista Josef Stalin.

Referindo-se à eliminação daqueles que constituem estorvo para a sociedade, afirmava este prémio Nobel da Literatura que a política eugénica de eliminação pela eutanásia deveria incluir uma «ampla utilização de câmaras da morte» e que «pessoas em grande número deveriam ser eliminadas simplesmente porque causam desperdício de tempo a quem cuida delas».

De facto, a Eutanásia também faz parte «natural» da ímpia ideologia comunista, tendo sido amplamente utilizada pelos ditadores soviéticos, tanto na Rússia como nos países por ela subjugados. Depois de vencido o Nazismo, a seguir à Segunda Guerra Mundial, continuou a praticar-se nos campos da morte que os soviéticos instituíram na então chamada República Democrática Alemã («Alemanha Oriental»).

A aprovação parlamentar dessa lei da morte designada por «Eutanásia» mais uma vez veio mostrar, portanto, que o socialismo, o nacional-socialismo e o comunismo estão novamente unidos naquilo que afinal constitui a sua essência, ou seja, o ateísmo, o materialismo e a destruição dos valores católicos do nosso País e da Civilização Cristã.

L. F. Ferrand d’Almeida

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