Combater o desânimo

22 Janeiro 2021

Talvez os que desanimam perante as adversidades que hoje nos atormentam, não saibam que o desânimo é exactamente um dos objectivos almejados pelo nosso inimigo.

O mundo encontra-se numa situação carregada de sombras e de inesperados. A misteriosa epidemia do «vírus chinês»  continua a causar uma mudança nos hábitos sociais, nas práticas políticas, nas decisões judiciais que cerceiam inúmeras liberdades individuais. Tudo em nome do colectividade e regado a fortes doses de propaganda mediática, sensacionalista e desinformativa.

O processo eleitoral americano, com fraudes de monta, lançou os Estados Unidos numa situação de caos político, agravada pelo início de uma perseguição aos sectores e opiniões conservadores, jamais visto. Enquanto os «eleitos» anunciam uma verdadeira ofensiva da revolução cultural, de essência anti-cristã, a China, continua a sua política expansionista e ameaçadora das liberdades, em Hong Kong, em Taiwan,  fazendo pairar o seu espectro totalitário, comunista, em todo o Ocidente e acentuando, dentro do seu território, as suas políticas repressoras, de modo muito particular aos católicos. Diante de todas estas adversidades e derrotas para os valores ocidentais e cristãos, muitos são os que desanimam,  os que «querem puxar a toalha», que mostram o seu desapontamento e afirmam que «não adianta fazer nada».

Talvez não percebam que esse desânimo é um dos frutos almejados pelos próprios adversários. Qual o nosso dever? Qual o dever, sobretudo, dos católicos? Não é suficiente que os católicos se compenetrem da gravidade da hora presente e que, engrossando as fileiras, hoje incontáveis, dos descontentes, chorem, como Eneas saindo de Tróia, os tristes destinos da sua pátria incendiada.

A nossa missão histórica é mais do que a de simples carpideiras, chorando sobre os escombros da Civilização Cristã. Eneas só abandonou Tróia quando ardiam em chamas os últimos redutos da sua cidade natal, e só chorou os destinos da sua pátria depois de ter utilizado todos os recursos capazes de a livrar dos gregos.

Ora, nem tudo na nossa Civilização está a arder nesse imenso fogo da indisciplina moral e social. A luta e a perseguição inclemente dos nossos adversários é prova disso. Não nos assiste, portanto, o direito das recriminações estéreis e das explosões infrutíferas de uma tristeza que só conduz ao desânimo. É necessário que os católicos entrem imediatamente em acção, com eficiência, disciplina e espírito cristão.

A opinião pública, profundamente descrente de todos os partidos políticos, de todos os “Clubs” e de todos os estadistas, verá com bons olhos a entrada, na arena política, de elementos superiores às rivalidades pessoais ou de facções, e preocupados exclusivamente com a vitória dos princípios cristãos.

Não nos esqueçamos de que a Doutrina Católica é o imenso repositório de verdades fecundas para a vida dos povos. Quanto maior o mal, tanto mais heróico o remédio. Desde que chegamos aos extremos que o mundo está enfrentando, é absolutamente patente que todos aqueles que querem ser verdadeiros filhos da Igreja Católica devem multiplicar os seus esforços e sacrifícios a fim de que, pela dilatação do Reino de Cristo, Deus seja glorificado e o mundo contemporâneo ainda possa ser salvo dos desastres que o espreitam. Não achamos que o lúgubre do espetáculo que temos diante de nós nos deva apavorar. Pelo contrário, deve exaltar-nos e chamar a nossa atenção para a situação tristíssima em que o mundo presente se encontra, não é fazer obra de desânimo e dispersão mas, pelo contrário, estimular os incautos e arregimentar os retardatários. A sentinela, quando toca o clarim, não tem por fim fazer fugir, mas dar o toque de reunir para a luta.

É o que devemos fazer. Só assim poderemos salvar a Civilização. E se assim não procedermos, teremos dentro em breve os últimos escombros do Ocidente Cristão transformados em «muro das lamentações», que recolherá os prantos amargos e estéreis de um povo que abandonou a Deus e que por Deus foi abandonado!

José Carlos Sepúlveda da Fonseca

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