A guerra perdida do Afeganistão

9 Setembro 2021

General Christopher Donahue, Comandante das Forças Americanas no Afeganistão, no momento em que embarcava no avião que o levaria de regresso aos Estados Unidos. Foi o último militar a abandonar aquele conturbadíssimo país, deixando atrás de si — por estranhos e mal explicados desígnios da política — uma situação de calamidade internacional cuja gravidade ainda não vislumbramos inteiramente. (Foto: New York Post)

Eugenio Trujillo Villegas *

Ficou gravada para a História uma das fotografias mais emblemáticas do século XXI. Nela, se vê o último militar americano no Afeganistão, general Christopher Donahue, comandante do exército americano naquele país, embarcando no avião militar que o levou de volta para os Estados Unidos. Pouco antes tinha também embarcado no mesmo avião o embaixador americano, de modo que tanto o poder militar como o político deixaram para trás aquela que será vista como uma das maiores tragédias militares e civis deste século.

Mais uma vez, os Estados Unidos sofreram humilhação e vergonha ao perderem uma guerra que podiam ter vencido. Apesar de disporem de todos os recursos materiais para ganhá-la, perderam-na porque os políticos não levaram em conta os mais elementares factores culturais inerentes ao povo afegão. Os políticos dos EUA quiseram impor ao Afeganistão um modelo social, cultural e político semelhante ao que vigora no Ocidente. Quiseram que as tribos afegãs, belicosas e ingovernáveis, ​​vivessem em democracia, que abandonassem o comércio do ópio, que os seus homens fossem ao bar beber cerveja após um dia de trabalho ou que as suas mulheres usassem jeans e minissaias.

Depois de 20 anos de ocupação, não quiseram entender que o modo de vida afegão é diametralmente oposto ao nosso e que a sua religião fundamentalista jamais permitiu qualquer coexistência com os costumes ocidentais. Não entenderam que, além da guerra que travavam no campo militar, havia uma guerra religiosa e cultural muito mais profunda que não se resolve com armas. Também no Iraque ou no Vietnam não quiseram ver o buraco negro em que precipitavam as suas tropas, nem avaliar as consequências da política que estavam a conduzir.

Os EUA abandonaram o seu arsenal militar no Afeganistão

Além disso, o abandono do Afeganistão deixou nas mãos do inimigo um dos maiores arsenais militares do mundo. Centenas de helicópteros e dezenas de aviões de combate, milhares de tanques, veículos blindados e viaturas para transporte de material e tropa, equipamentos de comunicação sofisticados, bases militares totalmente equipadas com modernos equipamentos, centenas de milhar de espingardas automáticas, complexos sistemas antimíssil e sabe-se lá que mais. Além disso, ficaram também as listas do pessoal afegão que colaborou com a tropa, o que nada mais é do que uma desastrosa sentença de morte para esses aliados.

Segundo os boletins de guerra americanos, alguns desses equipamentos foram desactivados ou inutilizados, mas só o tempo dirá toda a verdade quando muitas armas em mãos muçuomanas para impor ao Ocidente o fanatismo islâmico, para destruir a religião, a cultura e a civilização cristã, conforme é seu objectivo supremo.

Sem dúvida, os próximos ataques terroristas que abalarão as nações europeias e os Estados Unidos bem poderão ser feitos com essas armas abandonadas no Afeganistão. Por enquanto, o que vemos são as manifestações jubilosas dos Talibã, proclamando ao mundo o seu novo e inesperado poder militar.

É inadmissível que esse armamento colossal tenha sido abandonado por mera falta de previsão. Muito simplesmente, os responsáveis ​​pelo exército mais poderoso e experiente do mundo não cometeriam tamanha aberração, a menos que recebessem ordens do mais alto nível de poder político, ou seja, uma ordem directa do Presidente Biden que um dia ainda terá que explicar por que deixou aquelas armas aos seus inimigos. Com elas, os Talibã abalarão o mundo, porque o Islão não desiste dos seus planos de conquista e as suas hordas estão prontas para empreender a destruição dos principais símbolos da nossa civilização.

O Islão ameaça o Ocidente

Assim como os EUA ficaram cegos durante o conflito do Afeganistão, também o Ocidente está cego em relação ao Islão. Durante séculos, esta religião foi o flagelo dos cristãos, considerados os principais inimigos de Maomé. O seu fanatismo impõe-lhes como crença fundamental o extermínio de tudo que seja reflexo do Cristianismo.

E é isso que eles vêm fazendo há 1400 anos! Apenas recentemente, alguns factores extremamente importantes entraram em cena. Um deles é a autodestruição da Igreja Católica, cuja hierarquia tem abandonado quase completamente a sua missão fundamental. Por exemplo, o dever de enfrentar as heresias e de manter imaculada a própria Doutrina, ignorado a pretexto de um falso ecumenismo e de solidariedade para com os seus adversários. Além disso, a renúncia de evangelizar e converter os não cristãos para lhes levar-lhes o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, de acordo com o mandato por Ele dado aos Apóstolos, mandato válido até ao fim dos tempos.

A essa tragédia soma-se um facto de transcendental importância, que é a imensa riqueza que o mundo árabe alcançou através do petróleo, principal fonte mundial de energia desde o século passado. Com o dinheiro do petróleo, os países do mundo islâmico passaram da pobre vida tribal à mais extraordinária das opulências, exercendo importantíssima influência em todas as grandes questões geopolíticas actuais.

Não é segredo para ninguém que o Islão pretende conquistar a Europa. Milhões de muçulmanos já para aqui se mudaram, seja porque a sua riqueza o permite, seja por causa das guerras nos seus países de origem. Enquanto os cristãos na Europa abandonam as suas igrejas, os muçulmanos estão a construir centenas de mesquitas. Em qualquer cidade do Ocidente, é permitido construir mesquitas, mas em nenhum país muçulmano é permitido construir uma igreja cristã. Peçamos a Deus que tenha misericórdia da Sua Igreja, do Ocidente e da nossa civilização, antes que, pelo chicote de Maomé, sejamos de uma vez por todas despertados da nossa decadente sonolênica. Como tem sido frequente ao longo da História, só o terror da perseguição fará lembrar a necessidade de defendermos os nossos princípios, agora ameaçados com as armas que alguns traidores deixaram de presente ao «governo» terrorista do Afeganistão.

* Eugénio Trujillo Villegas é Director da Sociedad Colombiana Tradición y Acción: www.tradicionyaccion-colombia.org

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