A escravatura nos antecedentes da chantagem energética de Putin

18 Julho 2022

Observe-se neste mapa a extensão do gasoduto Yamal e a sua importância estratégica.

Os trechos que abaixo transcrevemos, são de um artigo do Professor Plínio Corrêa de Oliveira, escrito para o diário «Folha de São Paulo» em 1982.

Dez anos antes de começar a construção do gasoduto de Yamal, já ele denunciava a contratação de mão-de-obra escrava e a subserviência suicida do Ocidente capitalista na consecução do projecto. O assunto foi abafado apesar de ter sido noticiado por importantes órgãos da imprensa internacional. Mas a «factura» finalmente chegou, ou seja, mais de trinta anos decorridos, o Ocidente finalmente recebeu a corda suja que comprou para se enforcar.

Leia-se então o que escreveu o Prof. Plínio Corrêa de Oliveira em 1982(*):

«Sirvo-me da documentação exuberante colectada pela analista política norte-americana Dra. Juliana G. Pilon, Ph. D., que a benemérita “The Heritage Foudation”, de Washington, publicou há pouco (16-9-82).

«Trata-se de um estudo sobre a construção do gasoduto de Yamal, imensa corda de aço na qual Moscovo pretende enforcar tanto a Europa oriental quanto a ocidental, pois tornará uma e outra dependentes do gás soviético para enfrentar os rigores do inverno.

«O projecto Yamal será um dos maiores empreendimentos da Rússia. Custará cerca de 45 bilhões [mil milhões] de dólares e será financiado em sua maior parte com créditos ocidentais a juros baixos. Alguns desses créditos têm juros de apenas 7,5% (cfr. depoimento do especialista Roger W. Robinson, do Chase Manhattan Bank, in “Congressional Record”, vol. 128, no. 65, de 25-5-82).»

Mão de obra escrava

«Alcançando por vezes o frio na Sibéria 50 graus abaixo de zero, compreende-se que o Kremlin não tenha conseguido preencher com trabalhadores livres grande parte dos empregos que a realização do projecto acarreta. As estatísticas oficiais da Rússia calculam em cerca de dois milhões os empregos não preenchidos na Sibéria. Considerando que há mais ainda a preencher nos outros ramos da construção pesada em território soviético, torna-se necessário o trabalho escravo nas obras que se realizam na Sibéria. Daí ter havido um encontro entre Brejnev e o chefe comunista vietnamita Le Duan. Do que resultou que o Vietnam pagaria as suas dívidas para com o bloco soviético, não com dinheiro mas com trabalho escravo (cfr. “Foreign Report” da revista “The Economist” de 17-9-82).

«A denúncia do “The Economist” foi confirmada por idóneas e importantes organizações anticomunistas do mundo livre. E o trabalho da Dra. Pilon cita ainda, neste sentido, vários outros depoimentos esmagadores. A estes, haveria que acrescentar um importante artigo do senador norte-americano Bil Armstrong, de Setembro de 1982, e o relatório da Associação de direitos Humanos de Frankfurt (Alemanha), de Junho de 1982.»

Fazendo vista grossa à escravatura soviética, o Ocidente financiou o gasoduto de Yamal, preocupado apenas em garantir o seu bem-estar a prazo imediato. Porém a Rússia de Putin é agora inimiga declarada e agressora, usando o gás como arma de chantagem contra a Europa Ocidental.

Esperemos pelo Inverno para acabar de pagar a «factura»…

(*) «Para a corda de aço, escravos», Folha de São Paulo, 24 de Outubro de 1982, S. Paulo, Brasil

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